Dores de cabeça frequentes são o principal sintoma da doença do porco.

Verme parasita encontrado na carne de porco pode dar origem a neurocisticercose, a mais comum das parasitoses no cérebro.

por Dra. Kátia Hitomi Nakamura

Você é o que você come. Em alguns casos, esta máxima pode realmente ser levada ao pé da letra, como nos quadros de teníase e cisticercose, infecções suscitadas pela ingestão de determinados alimentos, especialmente a carne de porco mal cozida. As doenças são motivadas por um verme parasita, popularmente chamado de solitária, presente, principalmente, em países da Ásia, África e América Latina. Por nome e sobrenome, como manda a ciência, ela atende por Taenia Solium.

A solitária tem três estágios de vida – larva, embrião e verme adulto. A infecção na fase adulta é chamada de teníase. Após a ingestão da carne suína contaminada, o embrião é liberado no intestino delgado, onde amadurece para a forma adulta. Por meio de quatro ventosas e duas fileiras de ganchos, ele se liga à parede do intestino e absorve seu alimento. Assim, o homem se torna hospedeiro deste parasita. Os sintomas da estadia do inconveniente hóspede são dores de cabeça, náuseas, falta de apetite, perda de peso, fraqueza, irritabilidade e insônia.

Já na cisticercose, a infecção ocorre por meio das larvas. Nesse caso, o risco está não apenas na carne de porco, mas também na água e legumes contaminados com os ovos da solitária. No intestino, esses ovos se transformam em larvas e correm o risco de se hospedar em várias partes do corpo, como pulmões, olhos e coração. Mas a área do corpo mais comum de alojamento é o cérebro, dando início à inflamação chamada de neurocisticercose.

Os índices de infecção cerebral via Taenia Solium passeiam entre os 60% e 90%. O período de incubação varia de meses a décadas, mas a maior parte dos casos mostra sintomas dentro de sete anos de exposição. A pessoa infectada costuma sentir dores de cabeça e apresentar quadros de epilepsia, convulsão e dificuldade para andar.

Quando a neurocisticercose ataca, cerca de 4% do cérebro pode ficar afetado. Existem dois tipos de cistos mais comuns: o Cisticerco Celulose (inflamação fixa e pequena) e o Cisticerco Racemoso (crescimento ativo e inflamação intensa). As regiões da infecção são classificadas em quatro locais do cérebro. A meningeal e a parenquimatosa são as mais freqüentes, com variações de 27% a 56% e 30% a 63% respectivamente. A ventricular também tem incidência considerável, com 12% a 18% das inflamações com crescimento ativo, enquanto as lesões mistas ocupam cerca de 23% dos registros. Felizmente, o envolvimento da medula espinhal e nervos periféricos são raros.

TRATAMENTO E PREVENÇÃO

Detectada a doença – por meio de exames de fezes, sangue e Liquor Cefaloraquidiano ou tomografia e Ressonância Magnética de Crânio, o tratamento deve ser feito o mais rápido possível. Cada tipo de cisto recebe uma terapia especializada, principalmente pelas diferentes localizações em que a larva se aloja. De início, para calcificar o verme, pode-se utilizar antiparasitários como Albendazol e Praziquantel.

Dependendo da intensidade da doença, a cirurgia também pode ser indicada, principalmente nos casos de cistos intraventriculares com ou sem Hidrocefalia(Acúmulo de Liquor dentro dos ventrículos), cistos vivos soltos em cisternas e sulcos causando efeito compressivo.

Importante é a prevenção da cisticercose que se fundamenta nas medidas destinadas a interrupção do ciclo de vida das Tênias. A adequada fiscalização da carne levada ao consumidor e intensa campanha de esclarecimento quanto aos riscos que a população pode estar eventualmente exposta, seriam duas medidas decisivas na erradicação da doença em nosso país. Associadamente, deveria haver um esforço dirigido à modificação dos hábitos de higiene e de alimentação inadequados, que facilitam a ingestão de ovos de Tênia.

*Dra. Kátia Hitomi Nakamura é médica neurocirurgiã e atende em Maringá na Via Clínica, Av. Humaitá, 465 – fone: (44) 3028-0075 e em Sarandi na Clínica Neuro, Rua José Bonifácio, 1316 – fone (44) 3274-5215

Home Page: http://www.katianakamura.com.br

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Comments
3 Responses to “Dores de cabeça frequentes são o principal sintoma da doença do porco.”
  1. mara disse:

    boa noite. Este documentario esta bem explicado .

  2. Alisson Rabelo disse:

    Bom dia Dra. Sheila,

    Tenho algumas dúvidas sobre o caso da minha mãe. Ela tem 57 anos, teve 3 filhos homens, casada, atualmente mora só com meu pai em cidade urbana – Fortaleza. Ela já teve 3 crises de distúrbios mentais. Segundo o atual psiquiatra é transtorno bipolar. Atualmente ela está se tratando da ultima crise há mais de anos. Mais ou menos uns 6 meses atras ela se queixa de fortes dores na cabeça. Até achei que essa dor constante que minha mãe sentia era psicológico. Por meio da dúvida, solicitamos uma tomografia ao medico. o laudo do exame consta uma imagem nodular densa no lado direito, visto sem e com contraste. Suspeita da doença da carne de porco – cisticercose. Hoje iremos saber do estágio da doença. Na sua concepção, o que realmente deveríamos fazer? suspender o tratamento para o transtorno bipolar, apesar dessa doença do bicho do porco atingir a mente. o que você nos aconselha?
    obrigado.
    Att,
    Alisson Rabelo.

    • SM disse:

      Olá Alissson, aguarde o resultado dos exames, e ai veja com o neurologista e consulte um psiquiatra para verificar qual o melhor procedimento… Infelizmente essa resposta q vc deseja não cabe a mim, e sim a um desses dois profissionais q citei. Um abraço Sheila

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